sexta-feira, 25 de março de 2016

As Primeiras Coisas Primeiro.



Você gosta do xadrez? Não me refiro ao xilindró! Um espaço  que hoje passou a ocupar um lugar antes vazio, no imaginário de muitos brasileiros.

Refiro-me ao xadrez, jogo de origem persa e indiana, cuja forma atual remonta à segunda metade do século XV, à época do Renascimento, o qual ativa neurônios, faz bem ao cérebro e desenvolve a mente.

Ninguém começa a jogar o xadrez de repente. Primeiro é preciso conhecer as suas peças, e apenas conhecê-las não basta. É preciso saber movê-las. Em seguida, necessário se faz conhecer o objetivo do jogo. Depois, as suas estratégias e táticas.

Um interesse casual pelo xadrez pode ser a pequena chama  que termina por incendiar uma floresta. 

Há grandes e nem tão grandes enxadristas. Há os profissionais e deles até conheço um. Emiliano Piskator, que por desígnio já nasceu com nome de enxadrista. Ele é dos que jogam ao mesmo tempo contra dezenas, e de costas para os tabuleiros.

Entre os pequeninos e anônimos, estamos tantos! Enxadristas de fins de semana, às vezes de raros fins de semana, e até os enxadristas de quase nunca.

Os pequenos enxadristas estão para os grandes, na relação futebolística dos jogadores de várzea para os astros do futebol. E logo me ocorre os do atual Barcelona.

Há contudo algo em comum aos amantes do xadrez, não importando o seu talento. Eles conhecem as regras do jogo, movem suas peças do jeito certo na direção dos seus objetivos, aplicam estratégias, desenvolvem táticas... E estão sempre alertas às intenções do seu oponente. 

Há quem nunca tenha acendido a chama que o despertaria para esse jogo tão motivante. Mas não faz mal que seja assim. Por que haveríamos de precisar conhecer e praticar jogos em geral, como o bridge, o golf, a bocha, ou o frisbee, ao ponto de poder jogar?

O xadrez porém, é um jogo com características muito especiais. Não admiro que o tempo no qual mais me aproximei do xadrez, coincidiu com aquele no qual eu já exercitava o intelecto no aprendizado acadêmico, nos bancos da faculdade. 

O xadrez favorece o desenvolvimento da concentração, do foco, da observação, da capacidade de abstração, desenvolve a antecipação e o raciocínio.

Sobretudo o xadrez pode levar o seu praticante a transportar para a vida as boas características pessoais adquiridas com  sua prática. 

Situações existenciais, quanto mais complexas, nos conduzem, e às vezes a sociedades inteiras, por labirintos que a todos requer, para melhor lidar com eles, ter as características de um enxadrista. 

Daí porque certas visualizações, articulações e ações que se desenvolvem no campo social, em torno de quaisquer que sejam os interesses, quanto mais complexas são, não raro terminam associadas a um jogo de xadrez.

Mas seria um desastre que alguém tentasse jogar xadrez sem antes conhecê-lo. É o mesmo que aconteceria em  outros campos de atividade.

Auto-animados ou incentivados por alguém para ir às ruas e jogar publicamente o seu xadrez, que espetáculo tão desagradável seria, aquele dos que nada entendendo desse jogo, tentassem praticá-lo publicamente!

Talvez não ficasse tão mal aos olhos dos que também nada entendessem do xadrez. Porém aos olhos dos enxadristas em geral, seria um horror.

Há  épocas que são favoráveis a certos modismos. A exemplo, que os mais antigos se lembram, da onda do bambolê. O gosto pelo xadrez contudo, não deveria ser extemporâneo, mas corrente, sempre atual, permanente. 

É pelo convite que o xadrez nos faz para sermos reflexivos, de  aprofundar nossos conhecimentos, de controlar nossas emoções e assim desenvolver os potenciais que certamente estão entre os mais valiosos do ser humano.

Conhecer e gostar do xadrez, pode até nos levar a querer conhecer sua história. Isso certamente complementaria muito bem a formação de qualquer enxadrista. 

Tudo isso antes de ir para as ruas. 

Assim é no xadrez,  e assim é na política. 

domingo, 20 de março de 2016

Fácil de Explicar, Difícil de Entender.




Março de 2016, mês de enorme efervescência política no Brasil. Prenúncio da aproximação de um ápice.

Duas manifestações gigantescas, separadas por apenas quatro dias, aconteceram para a defesa de interesses contrários. 

No momento até podemos cortar o ar com uma faca.

E não há quem me demova de uma antiga percepção! É que apaixonados que são os brasileiros pelo futebol, e falsamente crédulos de que o céu é perto, surgiu nos 7 X 1 da Copa, algo que teve o efeito, em homens do Brasil, semelhante ao produzido pelo "pecado original".

Os Brasileiros que moram no exterior, embora não todos, têm uma ideia totalmente falsa do que por aqui acontece. Se eu morasse "lá fora" isso comigo não aconteceria! É que meu pai me ensinou, quando eu ainda era criança, a não acreditar em pinóquio. As notícias que leem onde quer que estejam, originam-se quase na sua totalidade, de uma mídia confessadamente parcial, até porque partidária.

Não dá para explicar a um cidadão alemão (desculpem alguns essa referência pelo que para si os 7X1 evoca), o que de fato acontece hoje por aqui.

Porém, imagino-me conversando com o meu amigo Bernd Schatz, que mora em Koblenz:

- São contra a presidenta e querem derrubá-la.
- Qual o crime para justificar o impeachment?


- Até agora, nada! Mas todos acham que a qualquer momento pode surgir! Afinal todos nós brasileiros somos corruptos. É que às vezes nossos crimes não aparecem, pois alguns têm amigos no judiciário.

- E o ex-presidente LULA?
- No momento, todos os dias ao acordar, ele escova os dentes e vai ao What´s Up para saber se deve ir trabalhar como "Primeiro Ministro" ou se deve ficar em casa aguardando a polícia.


- Mas já conseguiram provar alguma coisa contra ele?
- Não! Mas o Ministério Público, a rede Globo, alguns Ministros do Supremo, eles têm todos aquele otimismo do brasileiro. Acham que embora já tenham investigado muito, podem a qualquer hora conseguir. São tão obstinados, que mesmo sem ter AINDA as provas, resolveram logo mandar prender.


- Em caso de impeachment então deverá assumir alguém da lisura moral de uma Rainha Elizabeth!
- Bom! É verdade que as mães deles os adoram! Não veem neles nenhum defeito, e plena capacidade para governar qualquer país. Porém deve ter aí algum exagero materno. O fato é que um deles, o que conduz no Congresso as ações para o impeachment da presidente, é o que os advogados chamam de criminoso "contumaz". Há quem esteja a jogar na loteria os números das contas que ele tem na Suiça. Riquíssimo!!! Admiravelmente rico! E ele era apenas um auxiliar de tesoureiro de um ex-presidente!


- É verdade que um juiz de primeira instância no Brasil tem poder para grampear um presidente?
- Não tem, mas pode grampear!


- Como assim?
- Deixe para lá, que essa é ainda mais difícil de você entender.


- Mudando de assunto, é verdade que vocês brasileiros gostam de dizer palavrões?
- Sim! Sim Sim! Puta que pariu! E como gostamos! As crianças no Brasil, para não começar muito cedo, são proibidas de escutar o que dizem nos grampos telefônicos. E os grampos telefônicos no Brasil viraram uma espécie de esporte nacional. 


- Imagino o que vocês não dizem nos estádios!
- Ah! Não me fale em estádios! Certa vez, no Maracanã, foi lindo! Cem mil pessoas gritavam emocionadas para a nossa presidente: "Dilma, "Fick dich selbst in deinen arsch.".


- Eles não devem então ter estranhado os palavrões do diálogo presidencial no grampo mais recente!
- Você não entende mesmo nada de Brasil, talvez até nem mesmo do ser humano! Pois não é que ficaram todos muito chocados! Até quem não estava no estádio parou de rezar para, à distância, engrossar o coro. Mas agora, estão inconformados! Inconformados com os palavrões da Dilma e do Lula. 


- Sem querer ofender, e os sete a um? Vocês já se conformaram?
- Por enquanto transferimos o ódio que sentimos de vocês, para um partido chamado PT. Estranhamente, embora sejamos contra a corrupção, mas a nossa simpatia é mesmo por partidos verdadeiramente corruptos. Aqueles que nunca  deixaram que o PT subisse com eles ao pódio olímpico dos partidos mais corruptos do país.  E olha que o PT está no governo há 14 anos!


- Mas e o PSOL! Me disseram que nunca teve um só político processado! Porque não o PSOL?
- Caro Bernd, está ficando tarde. Não vamos conversar agora, sobre filosofia! Voltando ao assunto, o Brasil vai devolver sim os sete a um a vocês. A partir de então ele voltará a ser um país amável para sempre.


- Você está querendo me dizer que jamais o Brasil será um pais admirável?
- Você me entendeu. No Brasil, a maioria dos meus amigos e alguns familiares não me entendem!