sábado, 27 de dezembro de 2025

Até outro dia!


José Ronaldo de Melo Jucá! Ou simplesmente JUCÁ, ou RONALDO, ou BARATA...

Ou ainda como o adjetivei: BARATA TONTA.

Ele amou a vida!

Ele foi a expressão de que: "Quem ama o mar, ama também a rotina do navio."

Como a maioria de nós, viveu momentos antagônicos como aqueles referidos por dois grandes gênios da literatura.

Fernando Pessoa, quando disse: "Ouço passar o vento, e acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido."

No outro extremo, Clarice Lispector quando disse: "A vida é um soco no estômago".

Até quase os cinquenta anos, Ronaldo lidou apenas com os percalços da vida. Depois lhe sobreveio também a doença: ATAXIA CEREBELAR HEREDITÁRIA AUTOSSÔMICA DOMINANTE. Para os íntimos, doença de  Machado-Joseph. Uma espécie de defeito de fabricação.

Foi como se, pelos próximos vinte anos, entrasse água pelo casco do navio. Mesmo assim ele navegou sem nunca lamentar o navio inundado. Sua viagem continuou animada. Deixou que só para os outros coubesse o lamento de como poderia haver uma alma tão cheia de vida, em um corpo tão debilitado.

O Barata - Barata Tonta! Foi exemplo maior de aceitação, resiliência, força de vida. Do início ao fim! Ou do início à vida verdadeira?

Concluindo, se ele aqui tomasse o meu lugar, certamente que com todo respeito, e pedindo a compreensão dos seus amigos e familiares, diria duas coisas:

Primeiro agradeceria a cada um pelos ricos momentos vividos juntos, e de modo muito especial e comovido, a duas pessoas extraordinárias por todo o tempo que amorosamente estiveram com ele, presentes até a despedida final: Vera e Eliane (Elis).

Poderia ainda dizer: Ai de quem no final dos seus dias, não tiver ao seu lado quem o ame. Eu tive!

E em segundo lugar ele concluiria dizendo:

Voltar? Nem pensar! Deixem ficar como está: 

Fui Feliz! Fiz tudo que queria fazer!

domingo, 14 de dezembro de 2025

Meu 2025 - Nosso 2026.


Parafraseando Mário Quintana:

"Nada te devo 2025! Nada. Nem te agradeço!


Começarei com uma confissão:


Quando vejo um touro a pinotar no rodeio, em cima dele um peão que mamulenga, esse é o símbolo que faço das vidas humanas em geral!


Eu completaria o quadro com uma má música sertaneja a soar ao fundo, dessas que desagrade aos ouvidos até mesmo do próprio sertanejo.


Para uns o touro pode até ser menos vigoroso, menos alimentado, e quanto aos mamulengos, mais bem criados e treinados.


Há gradações nos desafios!


Porém, "Atrás de cada porta, um drama." Como dizia eu mesmo.


De um ponto de vista pessoal, achei o ano que passou um ano torpe! Não sentaria com ele para tomar uma cerveja. Até mudaria de calçada para não o reencontrar.


Foi um ano sem empatia para comigo, e para muitas pessoas queridas também. Foi um ano para deixar evidenciado que o luto pertence mesmo à vida.


Ele começou me insultando e aos meus familiares em especial! Prosseguiu com mais ofensas, as previsíveis e as imprevisíveis.


Foram as más notícias de origem externa, abatendo pessoas amigas, e consequentemente a mim, e também as surpresas ruins internas, inesperadas, do tipo "depois de queda, coice".


Foi quando até pensei: desse jeito terminarei infartando!


Pois não é que infartei!!!


Ainda assim, por uma questão de reconhecimento e gratidão, resolvi reconsiderar em relação ao ano de 2025, o que eu disse antes.


Afinal sobrevivi, e sobrevivendo, renasci.


Tomaria com ele sim, honradamente, uma cerveja. Um encontro para uma despedida alegre, porque ele passou e eu fiquei!


Seria a celebração de uma superação a duras penas.


Que bons ventos o levem, 2025, você pode ter sido ótimo para outros, mas não foi sequer condescendente para mim. 


Para concluir com o olhar no futuro, desejo que em 2026 seja possível a todos redesenharem a vida em moldes mais felizes, bem diversos dos piores momentos que precisei superar, ou que quase superei até aqui.


Daquele ano velho, malfadado porque psicopata, fica a capacidade que me foi manifestada de suportá-lo buscando o mais alto de mim mesmo.


Talvez daí que eu esteja assistindo ao seu ocaso estranhamente agradecido, ligeiramente alegre, e até mesmo preservando um certo bom humor.


A vida prossegue, e malgrado os trechos do tipo pirambeiras durante este ano percorridos,  momentos deliciosos também aconteceram, pois mesmo quando nem tudo são flores, nem tudo são espinhos.


Termino paradoxalmente me desculpando, nem que seja só um pouco, com esse ano velho, por causa das alegrias que insistiram em sobreviver junto comigo, pela grandeza de alguns momentos deliciosos que não foram  eclipsados, mas que se interpuseram para dar sentido à vida, e criar novas esperanças. 


Que o sentido de urgência que renasceu em mim, ainda que em um parto a fórceps, esteja na vida de todos, por uma valorização cada vez maior de cada instante. 


"Não deveríamos precisar do cataclisma para amar a vida hoje. Seria suficiente pensar que somos humanos e que a morte pode acontecer esta noite."  Marcel Proust.


A cada um de vocês, meus desejos de um Ano Novo de Paz, Saúde, Alegrias e Felicidade!