Ou ainda como o adjetivei: BARATA TONTA.
Ele amou a vida!
Ele foi a expressão de que: "Quem ama o mar, ama também a rotina do navio."
Como a maioria de nós, viveu momentos antagônicos como aqueles referidos por dois grandes gênios da literatura.
Fernando Pessoa, quando disse: "Ouço passar o vento, e acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido."
No outro extremo, Clarice Lispector quando disse: "A vida é um soco no estômago".
Até quase os cinquenta anos, Ronaldo lidou apenas com os percalços da vida. Depois lhe sobreveio também a doença: ATAXIA CEREBELAR HEREDITÁRIA AUTOSSÔMICA DOMINANTE. Para os íntimos, doença de Machado-Joseph. Uma espécie de defeito de fabricação.
Foi como se, pelos próximos vinte anos, entrasse água pelo casco do navio. Mesmo assim ele navegou sem nunca lamentar o navio inundado. Sua viagem continuou animada. Deixou que só para os outros coubesse o lamento de como poderia haver uma alma tão cheia de vida, em um corpo tão debilitado.
O Barata - Barata Tonta! Foi exemplo maior de aceitação, resiliência, força de vida. Do início ao fim! Ou do início à vida verdadeira?
Concluindo, se ele aqui tomasse o meu lugar, certamente que com todo respeito, e pedindo a compreensão dos seus amigos e familiares, diria duas coisas:
Primeiro agradeceria a cada um pelos ricos momentos vividos juntos, e de modo muito especial e comovido, a duas pessoas extraordinárias por todo o tempo que amorosamente estiveram com ele, presentes até a despedida final: Vera e Eliane (Elis).
Poderia ainda dizer: Ai de quem no final dos seus dias, não tiver ao seu lado quem o ame. Eu tive!
E em segundo lugar ele concluiria dizendo:
Voltar? Nem pensar! Deixem ficar como está:
Fui Feliz! Fiz tudo que queria fazer!
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