O jeep era do meu pai, mas até parecia que o dono era eu. Aos 19 anos, cheguei mesmo a escolher a cor com que a sua capota de aço foi pintada. Uma cor abóbora de gosto por demais espalhafatoso. No carnaval eu a tirava, pois para o propósito momesco bom mesmo era o jeep sem capota nem escape.
Na minha cidade, Recife, o melhor era divertir-se durante a semana pré. Principalmente em tempos de corso ao longo das principais ruas, passando pela Av Conde da Boa Vista e Av Guararapes.
Já era o último dia de folia da semana pré-carnavalesca, por mim comemorada regiamente desde o primeiro dia. Voltávamos eu e dois amigos para casa, em Olinda, tarde da noite mas ainda cedo da madrugada. Era natural que o meu pai já estivesse preocupado pelo adiantado da hora. Ansioso, já fazia muito tempo que ele me esperava.
Muitas décadas depois, um dos amigos que me acompanhava, Paulito, em meio a uma conversa que passava pela rememoração de fatos, relembrou-me da reação do Sr Jucá, quando em casa finalmente chegamos.
Pois é, enérgica e autoritariamente, meu pai chegou até mim e bradou:
- Chega de orgia!

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