Foi no interior de uma igreja, quando pela primeira vez, aos três anos de idade, Tomás via transcorrer uma missa. Atento ao seu redor, pedia esclarecimentos ao seu pai sobre o que via:
- Por que aquela mulher está com uma toalha na cabeça?
- Por que aquele senhor cabeludo está pendurado?
- Quando o verdadeiro papai do céu vai descer?
E ainda Tomás, certo dia de futebol entre Brasil x França, fizeram-lhe uma pergunta. A pergunta não seria embaraçosa se a sua mãe não fosse francesa e o pai brasileiro.
- Por quem você vai torcer?
Respondeu:
- Pela França!
- Por que pela França?
- Porque mamãe é francesa!
Mas e o seu pai?
- Meu pai é franceso.
Outro dia a avó dos dois quase entrou em desespero!
Sim, pois trata-se dos gêmeos Martin e Tomás.
Ela pensava estar a sós com eles no apartamento do último andar do prédio.
Cheguei como combinado para levá-los para almoçar no restaurante da esquina.
Deparei-me no jardim do térreo com aquelas duas crianças de três anos, sentados no chão brincando com a areia. Estavam sós, o que me causou estranheza.
- Quem os trouxe para cá?
Martin respondeu, enquanto continuava a brincar:
- Viemos sós.
- Como chegaram aqui?
- O elevador! Ele abriu a porta, a gente entrou, ele desceu!
Presenciei então duas expressões conflitantes de sentimentos que ocorreram ali naquele instante.
A satisfação e tranquilidade infantis em momento de grande realização pessoal, e o infortúnio e quase desespero da avó que, andares acima, os procurava em vão por toda parte.
Não deu tempo de avisá-la onde eles estavam, pois não os encontrando onde esperava que estivessem, desceu às pressas. Quando apareceu na portaria do prédio estava lívida, espavorida.
Ao vê-los sentiu o alívio dos que acordam de um pesadelo!
Ao observar o que as crianças na sua ingenuidade fizeram, lembrei-me do slogan do Google: simplify, simplify, simplify. E para reforçar a ideia de importância da simplicidade, no mural da sede da Google, os dois primeiros simplify estão riscados.
Só que ás vezes, pensei eu, enquanto alguns simplificam, outros podem ser levados à loucura!
Martin e Tomás têm dois tios paternos, somos eu e o meu irmão.
Meu irmão tem precisado usar cadeira de rodas para se deslocar.
Um dia o pai deles os avisou:
- Hoje o tio vem nos visitar.
Na dúvida, foi a vez de Martin perguntar:
- O da cadeira de rodas? Ou o do cabelo feio?
Tom tinha menos de dois anos, e aproveitava os poucos dias em que pela primeira vez visitava o avô, meu irmão, no Brasil. O que aconteceu foi simples, mas para mim ficou gravado talvez pelo inesperado. Afinal Tom falava muito pouco!
Estávamos em uma lanchonete, e chegara a hora de eu ir embora. Tom brincava ao lado, próximo de nós e fui até ele. Baixei-me para vê-lo de perto e me despedir.
Ele olhou para mim muito admirado, e exclamou:
- Não é o vovô!!! 😃
Enquanto houver crianças a alegria estará assegurada, muitas novas histórias e a esperança também!





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