domingo, 26 de agosto de 2018

Na Morte e na Vida.


O Auditório do prédio sede da Chesf estava lotado. Havia até  empregados em pé, que se acotovelavam encostados nas paredes. 

Era o último dia do engº Eunápio na Companhia, pois chegara à aposentadoria.

Fora convidado ao auditório, alheio ao real motivo do convite.

Ali entrou, e começaram os aplausos. Não notou de imediato que aqueles aplausos eram todos para ele.

Já sentado, foi quando então percebeu. Ao se dar conta, de imediato se levantou. Passou a ser aplaudido de pé pelos empregados.

As palmas aumentavam em intensidade, harmonizavam-se em ritmo, cresciam em incontido entusiasmo. Alguns até ensaiaram gritos de aprovação, como ao final de grandes óperas. Ao que se seguiu eu chamo de ovação.

Uma grande ovação pela numerosa e heterogênea platéia, e porque não foi curto e sim demorado o tempo que ela durou.

A lembrança dessa homenagem, da qual participei,  me veio quando recentemente chegou-me a notícia do falecimento do engº Mauro Amorim, ex-diretor de Engenharia da Chesf.

A lembrança decorreu de considerar o engº Mauro Amorim também merecedor de uma homenagem brilhante. 


Também o engº Mauro Amorim, pelo que representou para a Chesf e, em especial, para os que tiveram o privilégio de trabalhar com ele, ficará na história da empresa, lembrado dentre aqueles que encontraram ali o reconhecimento pleno.

Naturalmente que o engº Mauro Amorim também foi homenageado em vida. E, ao lado dele e do Engº Eunápio, o foram tantos outros grandes profissionais da Chesf.

Ao recordar esses fatos, penso em como terá sido bom e bonito para eles, saber o quanto despertaram admiração, reconhecimento e respeito, da parte daqueles que expressaram esses sentimentos em vida, através de significativas homenagens.

Portanto, aproveito para desejar vida longa e de boa qualidade a todos os companheiros dessa rica jornada e, em especial, lembrar que as homenagens àqueles que as merecem têm significado ainda maior quando prestadas em vida.

No contexto que nos remete à memória do engº Mauro Amorim, e quando mais uma vez ele é por nós homenageado, gostaria de concluir relembrando um episódio de trabalho que aconteceu na subestação de Imperatriz.

Afinal, nossa vida na Chesf, embora marcadas muitas vezes pela complexidade dos problemas a resolver, pela responsabilidade envolvida e não raro por momentos de natural ansiedade e tensão, foi também pontuada por fatos amenos, que resultaram em lembranças bem humoradas. 

À época do comissionamento das instalações de 500 kV, algo incomum estava ali para acontecer. Para atender necessidades operacionais do sistema, uma linha de 500 kV da subestação de Presidente Dutra à subestação de Imperatriz, estava prestes a ser energizada em 69 kV.

A subestação fervilhava com a presença do pessoal da área técnica dos mais diversos setores, e até mesmo de empresas de consultoria,  como era o caso da antiga Themag. 

Nos painéis, a densidade demográfica de engenheiros ultrapassara o que o operador chefe daquela subestação era capaz de suportar, um verdadeiro pandemônio.

Foi quando, tendo alcançado o limite da sua paciência, o Sr operador esbravejou alto para que todos ouvissem:

- Chega! Saiam daqui! Todos para fora! Agora aqui só ficamos eu e esse gordinho, que é o único que está entendo das coisas.

O "gordinho" o operador desconhecia tratar-se do então Diretor de Engenharia, Mauro Amorim.


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