domingo, 30 de junho de 2019

Les Deux Garçons - Parte 4.



Émile Zola

Diante dos fatos que viram à tona e contribuíram para o aumento das pressões internacionais, escancarando para o mundo a parcialidade dos juízes que condenaram o capitão Dreyfus, muitos esperavam a reconsideração do seu julgamento. 

Foi quando um militar tenente coronel viria a causar espécie, ao forjar provas que levavam a incriminação do acusado.

O raciocínio foi: Não tem problema! Se não há provas, nós que tudo podemos e nem escrúpulos temos, inventaremos uma. Algo que possa arrefecer o clamor que se levanta.

O "documento" surgiu sob a forma de uma carta enviada por um major italiano a um major alemão, na qual o nome de Alfred Dreyfus era citado de modo incriminatório.

A falsificação era tão grosseira que logo foi desmascarada.  Após confessar a farsa, o tenente coronel por ela responsável foi preso e em seguida suicidou-se.

Encurralados, mandaram buscar Dreyfus para um novo julgamento.  E desta vez fizeram justiça? Não! Apenas o condenaram a uma pena menor. Dez anos de cadeia.

Isso causou imenso escândalo.

Dreyfus que já passara 4 anos preso, desde os 36 anos, embora só tivesse 40 anos já aparentava 60. Sentia-se doente e alquebrado. 

Porém, quando diante do clamor público que se agigantava o presidente da França resolveu conceder-lhe um indulto, Dreyfus recusou  pois seria aceitar a sua culpa. Recusou-se  a abrir mão da sua dignidade, preferindo continuar preso até   ter a sua inocência reconhecida e a sua imagem reabilitada.

Interviram a sua esposa, familiares e amigos, que percebiam o quanto ele estava fragilizado, e não mais suportaria muito tempo na prisão.

Tendo cedido ao apelo dos que queriam cuidar da sua saúde, Dreyfus sob indulto continuou a luta pela sua reabilitação total do crime de que fora acusado injustamente, e sem provas.

Sete anos se passaram com muitos recursos sendo submetidos, até que  finalmente, em 1906, foi concluído o demorado processo que culminaria com a anulação do julgamento que o condenara  doze anos antes, em 1894. A sua inocência foi reconhecida, e Dreyfus foi plenamente reabilitado, recuperando sua patente no exército. 

O papel de Émile Zola na defesa intransigente dos valores constitucionais de direito a defesa, e de um julgamento justo, levou a que as autoridades francesas em reconhecimento prestassem a ele a justa homenagem de tê-lo no Panteão ao lado dos grandes heróis franceses.

Por sua determinação e coragem, ao insurgir-se contra os poderosos que recusavam os caminhos da justiça, sempre houve grande temor por parte dos que o apoiavam, de que pudesse ser vítima de alguma violência.

De fato Zola não viveria para ver a conclusão do processo, pois morreu 4 anos antes, em 1902. As circunstâncias da sua morte deixaram suspeitas de que tenha sido assassinado. Morreu em casa, intoxicado pela fumaça que inalou, decorrente de um entupimento da sua chaminé.

Émile Zola nos deixou a seguinte frase que será sempre atual:


"Á mentira tem contra si a impossibilidade de se manter para sempre, enquanto a verdade tem para si a eternidade."

Em 1998 ao completarem os cem anos da publicacão do artigo "Eu Acuso" o então presidente Jacques Chirac enviou cartas aos familiares de Zola e de Dreyfus, de reconhecimento da França e dos franceses, á sua contribuição aos valores da liberdade, dignidade e justiça.



Nenhum comentário:

Postar um comentário