domingo, 30 de junho de 2019

Les Deux Garçons - Parte 2.



Léon Arvaux

Foi em um momento de abstração do que seria mais importante fazer, que tentei descobrir um pouco mais da história do "Les Deux Garçons", cuja narrativa prossigo.

Antes da consulta ao Google, e atento as eventuais "fake news", me perguntei assim como fazem os psicólogos: "E você? O que pensa que esteja na origem da escolha desse nome?


O "Les Deux Garçons", endereço privilegiado no Cours Mirabeau em Aix-En-Provence, sul da França, sente-se ainda mais privilegiado, por preservar o local  tal qual ele era desde a data da sua fundação, em 1792.

Embora pretenda justificar o seu atual prestígio falando sobre fatos ocorridos a partir da primeira metade do século XX, não é possível deixar de antes comentar sobre o seu final de século XIX.

Assim, na década de 1860, o restaurante foi frequentado todas as tardes, por dois garotos que viriam a tornarem-se famosos.

Dois "garçons" franceses!

Sem muito mais pensar, não poderia o nome atual do restaurante ter ligação com a presença assídua de Paul Cézanne e seu amigo Émile Zola, quando ainda jovens? 


Cézanne era natural de Aix e Zola embora parisiense, estudara quando garoto em Aix no mesmo colégio que Cézanne, onde eles se conheceram e tornaram-se amigos!

Talvez sim, talvez não! 

Quem sabe, o nome  nada tivesse a ver com isso! As origens de nomes nem sempre são evidentes.


Tomemos por justificativa para assim admitir, o nome de outro restaurante nascido no Brasil, no estado das Alagoas, situado em consonância com o nome, em regiões litorâneas: "Bargaço". Por ter filial em Recife, o conheço bem!


O nome escolhido pelo dono, foi na realidade "Bar do garçom". Véspera da inauguração, tendo ido buscar a placa que mandara fazer, a encontrou pronta: Bargaço. 

Passada a contrariedade, afixou-a conformado à frente do estabelecimento, que recebeu assim um nome não escolhido e inusitado, mas apropriado.

Mas retomemos a história de "Les Deux Garçons", quando em 1947, um jovem chamado Léon Arvaux retornando da guerra procurava emprego em Aix-En-Provence.

Ele foi atraído para uma oportunidade de trabalho, pelo aviso afixado à frente do "Café Royale", que precisava empregar um jovem, um garoto, para servir à sua clientela: "precisa-se de garoto de café". Léon passou a ali trabalhar.

No térreo do Café Royale funcionava o escritório que promovia em Aix-En-Provence, os Festivais de Artes Líricas, os quais congregavam os artistas que dele participavam. O Café Royale passou a ser na cidade, o café associado aos Festivais de Artes Líricas, e local de reunião dos seus artistas.

Léon Arvaux era um "serveur" simpático, atencioso, bem humorado, que servia sem ser servil, e a todos encantava com a sua presença.

Ele permaneceu lá até ser convidado pelo dono de outro café, o "Les Deux Garçons", para trabalhar com ele. O interesse especial por Léon era de que ele trouxesse consigo parte considerável da clientela do "Café Royale", o que terminaria acontecendo.

Léon Arvaux contribuiu então para o prestígio contemporâneo de um lugar frequentado por gente famosa, que a exemplo de Picasso, fazia questão de ser atendida por ele.

Isso porém é apenas um pouco da história recente deste estabelecimento.

Fato é que de tão antigo e requintado ao longo dos séculos, e a partir da década de 1950 enriquecido pelo refinado atendimento do apreciado Monsieur Avraux, o "Les Deux Garçons", foi frequentado em diferentes décadas por figuras importantes desde Napoleão e Winston Churchill, até Alain Delon e Jean Paul Belmondo, passando por Picasso, Edith Piaf... e inúmeras outras celebridades, até as mais recentes, como Hugh Grant e George Cloney. 

Não seria surpreendente que por lá hoje nos deparássemos com algumas das celebridades atuais. A elas eu daria toda razão, se as visse reclamar do atendimento, ou mesmo da falta de requinte dos pratos. O "Les Deux Garçons" tem a seu favor o histórico, pois hoje sobrevive graças ao seu passado.

As suspeitas sobre a qualidade e sua 
administração atual, aumentaram quando muito recentemente, em 07 de junho de 2019, teve as suas portas fechadas pela prefeitura de Aix-En-Provence, ao serem constatadas irregularidades devido a contratação de imigrantes ilegais.

Pulemos porém para outro galho, pois o "les Deux Garçons" foi apenas o gancho para o que me ocorreu ao me deparar com a fotografia que fiz desse restaurante.

A dupla Cézanne e sobretudo Zola, sem querer me orientou o pensamento para outro galho.

Contarei porque na "Les Deux Garçons" - Parte 3.

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