Chamou-me atenção o homem sem cachorro que enquanto caminhava no parque, inspirava tédio em seus mínimos movimentos. Tinha a energia de um elétron! Achei admirável que mesmo assim tenha encontrado forças para caminhar!
Não observo ninguém, que trouxe o cachorro, tão deprimido assim! Seriam os cães uma espécie de ansiolítico para os homens?
Penso que enquanto apanham seus cocôs com a mão envolta em plástico, devem experimentar os mesmos efeitos de uma meditação. Por instantes, não há nada nas suas mentes senão o dejeto.
Por outro lado, alguns donos submetem os seus cães, e outros são submetidos por eles. Basta observar os tirantes esticados e quem arrasta quem. Tudo depende da relação entre os tamanhos e pesos do cachorro e do seu dono.
Mas passeios com caninos têm outras nuances. Aqui e ali, dono e cachorro se submetem às vontades um do outro. Nisso há um exercício de compreensão mútua, aceitação da vontade do outro, paciência...
Entretanto há certa dissimetria! O homem submete-se ao tempo necessário a que o animal satisfaça suas necessidades fisiológicas. O mesmo não é necessário da parte do cachorro.
Em contrapartida, o homem aproveita a sua companhia canina, para sociabilizar com seus pares que também fazem esse tipo de dupla.
Parados e tomando o espaço dos sem cachorro que passavam, vi e ouvi dialogarem um homem e uma mulher, enquanto seus cachorros se cheiravam:
- Meu cão é incrível! Dizia a mulher. É simplesmente inacreditável o que ele faz! E olhe que não é treinado! Heim? E o seu?
- O meu é um abestalhado!
Em geral os cães são mais risonhos e alegres que seus donos. Além do agradável contraste com tal sisudez, os cães ainda emprestam a eles um momentâneo sentido de utilidade ao passearem juntos.
Logo mais, e outra vez em casa, os cães reassumirão a sua finalidade de "só ser". Os donos se entregarão às suas atividades rotineiras, é provável que se sentindo em boa disposição, em parte pelas benesses da caminhada matinal, em parte pelo que lhes foi proporcionado por instantes em muito boa companhia.
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