sábado, 6 de abril de 2024

Uma Vida com Vento. (Parte 05/05.)

                                                           
Dom Joaquim Ferreira de Melo
 

O componente religioso católico sempre esteve presente de modo muito intenso entre as famílias do interior onde nasci. Disso me dei conta desde as minhas primeiras percepções do meio.


Havia os familiares, tios da minha mãe, que no interior de suas casas mantinham capelas. Um deles mandara construir uma capela tão grande, que ocupava um espaço externo, vizinho à residência. Na realidade uma igrejinha, para que no futuro, o filho do casal que ainda era seminarista, viesse a celebrar a sua primeira missa depois de ordenado.


O tio Tonho, cuja capela nem era tão grande, ouvi dizer que determinou o futuro religioso do seu filho Pedro, que se tornaria um destacado padre da Ordem Jesuíta.


O tio Joaquim Ferreira de Melo, meu tio-avô, irmão do avô Pedro e do tio Tonho, foi um dos fundadores do Seminário Diocesano do Crato. Terminaria seus dias como Bispo de Pelotas, no Rio Grande do Sul, onde há um monumento seu em um dos parques.


Nesse contexto onde sempre me pareceu reservado um lugar para o transcendente, assisti com naturalidade a minha mãe construir na nossa casa a maior das capelas.


Afinal diz-se que o maior dos templos é o que se arma no coração do homem, ou da mulher. Pois era ali, no coração de Alice, a minha mãe, que estava armado o templo da nossa casa.


Dotada de uma notável força interior, movida por muitas rezas, promessas, novenas e fé inabalável, envolvia a mim e ao meu pai, na reza noturna diária de um terço, antes de podermos dormir.


Não conto as vezes em que fingi estar adormecido, quando no meu quarto ela entrava para fazer sua convocação. Eu não devia fingir muito bem, pois não lembro de jamais ter escapado dos seus ofícios.


Isso tudo é para, concluindo, dizer que vivi e considero que ainda vivo, sob a proteção das orações da minha mãe "pelos seus".


Alice partiu muito cedo, vitimada por súbita leucemia, quando tinha 52 anos! Mas partiu continuando comigo, como todos aqueles que por mim um dia rezaram.


A Irmã Ângela continua a fazê-lo do plano terrestre, e simboliza esse passado que mesmo longínquo, continua presente.


Sempre atribuí os milagres benfazejos na minha vida ao resultado do empenho espiritual de Alice, não tendo nunca me faltado, em tempos de pandemia, o reforço vacinal espiritual da irmã Ângela e de uma comunidade inteira de irmãs fervorosas e solícitas a pedir intercessão pelos outros, por vocação.


Sempre me senti beneficiado por encontrar, além delas, quem se ocupasse de rezar por mim, me proporcionando assim poder sentir-me envolvido por energias tão elevadas, porque celestiais.


Ao escrever sobre tudo isso fui movido pelo desejo de expressar a todas o meu reconhecimento e a valorização desses cuidados.


Foi daí que veio e continua a vir o vento que soprando suave e permanentemente nas minhas costas, me tem  levado sempre em frente.


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