Certo dia, um homem que viajava para o alto sertão do nosso estado de Pernambuco, quando o sol estava a pino resolveu parar para almoçar em um desses restaurantes de "beira de estrada".
Era um lugar muito isolado, quente, seco, inóspito, e poeirento. A estrada dali prosseguia monótona, e logo apresentava um grande aclive por onde os veículos que iam enfrentavam uma íngreme subida, e os que vinham, uma descida das que impõem aos motoristas respeito e cuidado.
Terminado o almoço e estando de pé no terraço à frente do restaurante, ele contemplava à distância aquela longa estrada deserta, por onde só raramente passava algum carro, caminhonete ou caminhão.
Era imprevisível o que ele estava prestes a assistir. Descendo aquela enorme ladeira, vinha um caminhão carregado de mercadorias. Sobre a lona que a cobria, um peão se segurava do melhor jeito que podia.
O que chamava atenção era a poeira que atrás dele levantava e a velocidade com que descia aquela ladeira, pois a cada instante mais acelerava.
Era evidente que faltara freios.
A angústia dos poucos que viveram a cena, foi intensa mas de curta duração. Ao final da ladeira havia uma pedreira, e desgovernado era na sua direção que aquela enorme massa em movimento se direcionava.
Pobre peão! Já devia saber que iria morrer! Por que dali não se atirava?
Tempo para mais nada! O choque foi estrondoso, tudo se espatifou, e uma voz ecoou. A voz do peão que voando pelos ares gritava:
- "Adeus Mundo de Merda".

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