Nas garagens nascem as grandes bandas, as empresas gigantes de informática, as grandes fábricas de motocicletas...
Das garagens, são muitos os que delas têm lembranças inesquecíveis.
Lembranças originadas de atividades criativas, às vezes científicas, outras vezes tecnológicas e até de atividades lúdicas, engraçadas.
Garagens são em geral isoladas, e por caberem carros são espaçosas. Tornam-se convidativas a que ali se criem condições favoráveis até mesmo para que uma garotada se reúna para estudar.
Foi com esse propósito que certo dia, o compromisso de aprender “Complementos de Matemática”, reuniu um grupo de ruidosos colegas de faculdade, empenhados em levar a bom termo seus aprendizados das disciplinas do curso de engenharia.
Já faz mais de quarenta anos que uma digressão dos estudos ali ocorreu, e o fato por inusitado, ou talvez por permitir relembrar com saudosismo o espírito brincalhão e irresponsável da época, permanece na lembrança dos que da brincadeira participaram.
Até mesmo de Waldery Bernardo Júnior, alvo principal da “diversão” daquela noite, que ao relembrar dá risadas, ainda que admitindo: “que maldade!”.
O tempo passara rápido e já era mais de meia noite. Eram umas duas horas da madrugada. O cansaço já prevalecia sobre o ânimo de prosseguir nem que fosse só mais um pouco.
E afinal, àquela altura, Waldery já “pegara no sono”.
Os acordados porém, apesar do cansaço, encontraram de pronto energia para uma inusitada brincadeira.
Não se pode sequer cochilar, quando se faz parte de certas turmas, como essa! Quanto mais adormecer daquele jeito, quase que a ressonar.
O plano foi executado em etapas, começando assim:
Primeiro, taparam TODAS as frestas da garagem.
Segundo, apagaram as luzes.
Terceiro, fizeram um breve silêncio.
Waldery continuava a dormir.
Então, passaram todos a fingir continuarem estudando, normalmente. O fizeram tão bem, que ouvia-se até o ranger do giz no quadro negro.
Chegara a hora de acordar Waldery.
- Waldery, vamos lá cara! Precisamos aqui de você.
Sonolento, Waldery primeiro acordou e, logo em seguida, ao despertar, abriu os olhos.
Foi evidente que ali só ele não enxergava.
Do desespero ao grito foi um microssegundo.
Quem não advinha o que ele disse?
- FIQUEI CEGO.
Hoje está tudo superado.
Waldery, ao reencontrar os antigos colegas, ri e comenta:
“Que maldade!”.
Uma rápida maldade, mas de grande impacto!
Uma turma dessas ninguém esquece!

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